A borboleta que não podia voar

borboleta 1a

A borboleta saiu do casulo mas não voou.
Caminhou até a janela da casa e lá permaneceu, grudada ao vidro.
A natureza a enganou, deu-lhe asas mas entregou-as amassadas.
O instinto lhe obriga mas o desequilíbrio é assustador, por isso não voa.
São mãos humanas que a alimentam, água adocicada com mel. E ela bebe.
Sobre a capota do carro, protegida pelo telhado da garagem, passará a noite.
Paciente, como são os animais, espera.
Talvez morra antes de descobrir sua sina.
Nunca será borboleta por inteiro.

borboleta 2a

 

 

 

 

 

 

 

 

 

E assim foi.
Borboleta na noite, desprotegida, despedaçou-se.
Algum predador a atacou, findou sua breve vida.
Minhas boas intenções resultaram no esquartejamento da infeliz.
Eu, uma fadinha má.

borboleta 3

 

 

 

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O engano costurado

Entre linhas de sua teia
vive a aranha, ocupada.
Distraída com suas costuras
perdeu-se do tempo, coitada.

Passam-lhe ao largo os anos
carregados de novidades
mas ela permanece atenta
aos bem conhecidos traçados.

Ignora que há muito
entrelaçaram-se os fios
mas nada disso lhe importa
pois é sempre o igual
que a conduz.

Com olhos no caminho secular
concentrada e aturdida
ferozmente limpa a teia
das vozes que o mundo traz.

Achando-se dona do mundo
lá fica costurando, sozinha,
quando na verdade é num canto de parede
que vive alienada,
a pobrezinha.

 

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Bicho de Pau

bicho de pau

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Namoro em plena avenida

namoro

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A fotógrafa distraída

Sem querer disparei a máquina.

foto só

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Gelol

     Estender roupa no jardim. Não basta olhar para frente.

estender roupa

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A Ave vê a Vida

a ave ve a vida 3

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